14 de fevereiro de 2009

Sexta-feira 13.

Alfama, ao final da tarde, a cheirar a roupa lavada e ao desprendimento dos putos que só querem jogar à bola. Dá gosto saber que ainda existem lugares, no coração da cidade, onde não é um atrevimento deixar a porta aberta ou a janela (pondo as vidas) a descoberto. Os gatos, com ou sem coleira, não têm donos - pertencem à vizinhança e não são esquivos; querem sopas e descanso, como toda a gente.

É difícil deixar um sítio assim, onde ainda sobrevive o que há de mais típico em Lisboa. Não é o Fado que se ouve numa aparelhagem de restaurante "para inglês ver"; são as partidas de dominó inacabadas numa tasca e todas as desgarradas que brotam dos cálices de vinho a 50 cêntimos. É o cheiro da caldeirada acabada de fazer ou da fruta da mercearia. São as senhoras que saem à rua de xaile e chinelos, nem por isso menos bem postas, mas muito mais aconchegadas - na cidade e na vida.

Não, não foi um dia de azar.

4 comentários:

  1. Ou passares pelo Príncipe Real e os idosos te sorrirem com o afago da idade.

    (E não, também não foi um dia de azar)

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  2. tenho saudades d cheiro a café e a pastel de nata, da luz radiante de Lisboa, do céu aberto azul, de ser observador e participante dessa cidade. saudade

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  3. Não actualizes isto, que não é preciso... =P

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  4. que saudades. de lisboa. de ti...escreve-te. gostava de te ler mais

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