12 de janeiro de 2009

Kundera escreveu-me dois parágrafos:

Como explicar esta falta de segurança perante a amante? Não tinha razão nenhuma para duvidar a tal ponto de si próprio! (...) Então porque é que pensava todos os dias que a amiga ia deixá-lo?

Só posso explicá-lo dizendo que o amor estava para ele, não no prolongamento, mas nos antípodas da sua vida pública. O amor era para ele o desejo de abandonar-se ao arbítrio e à mercê do outro. Quem se entrega ao outro como um soldado se deixa fazer prisioneiro tem de despojar-se previamente de todas as armas. Vendo-se sem defesas, não pode coibir-se de estar sempre a pensar no momento em que o golpe fatal será dado. Posso portanto dizer que, para Franz, amar era estar constantemente à espera do golpe que iria atingi-lo a qualquer minuto.

in "A Insustentável Leveza do Ser"


(Franz podia ser uma mulher chamada Débora)

3 comentários:

  1. Grande livro. É pena é o final apressado.

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  2. A calma e a segurança solidificam-se passo a passo. Não queremos um Franz, nem tampouco uma Tereza.

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